domingo, 20 de dezembro de 2020

Não sei se a ti também te acontece !




Não sei se a ti também te acontece,
isto de querer fazer certas coisas com esta energia que,
não sei se a ti também te acontece,
me invade todas as veias do corpo que também se descreve por aqui como tesão de mijo
e de repente aquela sensação adulta que,
não sei se a ti também te acontece,
se apresenta com uma leve voz dentro da minha cabeça que,
não sei se a ti também te acontece,
me pergunta porque raio e para quê e com que interesse e quem é que vai gostar disso e que,
não sei se a ti também te acontece,
me tirar toda a vontade de fazer o que quer que eu tinha imaginado querer fazer pois,
não sei se a ti também te acontece,
sou preguiçoso ao ponto de inventar vozes dentro de mim e que contra mim lutam ou,
não sei se a ti também te acontece,
invento dualidades dentro da minha própria cabeça para passar o meu tempo a lutar contra um inimigo imaginário que,
não seu se a ti também te acontece,
se tornou o actor principal do meu dia a dia e que me tira energia suficiente ao ponto de,
não sei se a ti também te acontece,
me fazer esquecer que estou aqui sozinho.
 

segunda-feira, 14 de dezembro de 2020

Sketchbook nº64, second half !






















Sketchbook nº64 !
Na eventualidade de ter duas páginas brancas à minha disposição, o branco torna-se como se de um inimigo. Está ali à minha espera, a olhar para mim, dando-me a entender que a culpa é minha se eu não o conseguir preencher, pois este está alí, sem quaisqueres defesas !

Ou, penso eu esperando-o de certa forma, aceitar o branco como algo já completo, preenchido o suficiente para não necessitar de mim (mais de mim?) para adicionar algo em cima deste !
Ou secalhar são só balelas !

sexta-feira, 11 de dezembro de 2020

Um texto matinal num dia de chuva e de mudanças !

 

A ideia de se ter coisas para me fazer apresenta-se como sendo um foco de luz num caminho que não têm visivelmente direcção mas é um volume tridimensional no qual ainda não consigo bem perceber se estou a andar, planar ou nadar. Mas a ideia da coisa que eu me interesso saber e esmiuçar mais um pouco faz-me por breves momentos esquecer como me desloco (se é que o faço) para me focar naquilo que se vai desenrolando pouco a pouco à minha frente e agora que falo/escrevo isto apercebo-me que se calhar é essa a forma que encontrei para estar presente. Esse presente tem mesmo muito que se lhe diga principalmente para mim que me projeto sempre no para além deste. O ante e o depois tornam-se mais importantes e pesados com muito peso do que o presente e com isso tudo ele vai reduzindo pequenino pequenino porque gastas o gajo a pensar nas merdas que fizeste ou nas que tens para fazer fora deste preciso tempo que é único acredita em mim podes já nem cá estar amanhã para me provar o contrário. Então as mudanças, as poupanças, os futuros projetos mostram-se irrisórios nesta objectividade presencial d’um presente único e valioso mais do que outro tempo qualquer mas como podes muito bem aqui observar estou-me a enganar a mim e a ti também desculpa pois é visível que essas três dimensões não existem na realidade, pelo menos não como três coisas separáveis. Então as mudanças e os projetos e as poupanças são pedaços de mim que se vai soltando e atirando para a frente na ideia de os voltar a encontrar num futuro que necessitarei mais deles do que agora porque temos esta capacidade de imaginar o amanhã de uma maneira muito concreta e coitados de nós se assim não acontecer choramos e gritamos e traímos e aleijamos e continuamos em frente porque mesmo que não querias esta é a única maneira para mudarmos seja ou não sem uma empresa que tem vem buscar caixotes a casa por m3. Mas é mais forte do que eu preciso de respostas e porquê isto e porquê sentir-me assim por causa de coisas que não têm realmente valor e tu sabes e eu também sei o que é valor e o que é de valor eu sei mesmo que outros não o saibam mas tenho que acreditar em mim mesmo que não conheça quem está no meu ombro direito ou no esquerdo. Que se lixe a pintura e a escrita e a escultura porque fechadas nelas mesmas elas são aquilo que todos nós sabemos porque é para isso que o ser humano inventou a história para se situar a enão se sentir sozinho numa ilha perdido sem ajuda sem recurso sem amigos chamada planeta Terra, o que interessa é o que interessa agora seja escrever freneticamente com erros no Windows 2010 ou pintar ou ler coisas ou dizer a pessoal que preciso dos vídeos que lhes pedi à duas semanas mesmo sabendo que toda a gente tem coisas para fazer e que o meu tempo apesar de ser o mais importante não o é. O que interessa é que no meio do caos haja um pequena luz que mostra que estou maluco mesmo não estando porque estamos todos e se todos estivermos então torna-se norma e ser-se maluco é estar fora da norma e por isso já não o sou. E não sou mesmo não tendo a certeza mas dizer ou escrever as coisas a voz/teclado alto ajuda-me a mentir-me a mim mesmo e dizer que sim senhor estou na norma mesmo que não entenda muito do que se joga ao meu lado mas quem percebe e cá estou eu mais uma vez a criar desculpas para me sentir mais seguro num mundo e num corpo que treme de sede de fome de açúcar e de vídeos na internet que me apresentam maneiras de eu ser mais e melhor e menos e pior e a vida é assim numa procura cambaleante de erros e choros e alegrias e desespero e de vazio que um dia tu e eu sabemos que tudo o que gostas vai desaparecer ou pior ainda as coisas que não gostar vão ficar a atormentar-te todos os dias que te levantas da cama e te olhas ao espelho contente a esfregar a língua com a tua escova de dentes ecológica tal como a pasta que a tua namorada te comprou para te lembrares daquilo que não querias ter-te nunca mais lembrado que foi que erras-te e não tiveste à altura daquilo que tu e outros idealizaram num mundo de ideias e de mitos e de teoria da arte e de vídeos na internet que me ensinam a levedar como deve de ser o pão que eu nem sequer deveria ter comido pois outro me disseram que era melhor não o fazer mas afinal quem és tu e o que queres realmente? Queres que seja monge Budista ou nada de nada de nada perdido encontrado numa floresta como macaco que já não sou e que na sua capacidade de se projectar não se projecta para além do fato de se projectar a não projectar. Nem 5 ciclos de respiração continua consigo fazer sem a minha mente partir para outro lugar sem ser para a minha própria respiração esta que me permite estar vivo mas que eu nunca ou quase nunca penso nela. Na resolução ou procura de resoluções bato repetidamente com a cara num muro que parece ser cinzento mas na verdade é da mesma cor das coisas que se vão colocando à sua frente e então apercebo-me; foda-se, ok é isso, é isso, caí na puta do erro de querer fazer coisas para fazer porque a fazer coisas é visível que eu sou eu e eu faço isso então é a merda do produção o grande problema aqui e eu de certa forma já o sabia mas produzo mais e mais para ir de encontro a ela e entendê-la pois é esta a maneira que eu me fui aprendendo a resolver os problemas que eu vou inventado porque imagina-me só eu sem problemas? Era um problema, e por isso para não haver problemas vou cirando alguns para me permitir ser mais calmo e mais atento e consciente a mim e ao outro e ao todo e ás minhas vontade e ás tuas que eu sei que tu querias que eu voltasse a pintar mas não quero apesar de querer mas resisto porque o desconforto é fértil e a fertilidade ajuda na produção de quem tem muitas dúvidas e muitas ideias e melhor ainda tem uma sublime capacidade de inventar problemas para colocar na sua vida então tudo é um luta seja contra mim contra as letras contra ti ou as manchas de tinta que eu raramente vejo porque passo o meu dia todo à frente d’um computador que já me conhece melhor do que eu a mim e acredita que eu sou muito bom na matéria mas parece que ele melhor que eu se tornou muito graças à minha ajuda porque ele não funciona sozinho. Nem eu, nem nós.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2020

Peintures numeriques !




Quelques peintures numeriques, quelques pinturas que se vão fazendo numa casa que se desvazia para enxer caixotes de cartão com pedaços de mim, e mais pedaços de mim e de mim aos pedaços.
Fora desses pedaços há um pedaço de mim que fora destas fica e aqui fica ficando olhando para os seus pedaços com uma sensação de não conseguir ser um todo sem eles, sem esses pedaços que fazem parte de mim mim. 
Mim, mim é uma palavra engraçada que me dá vontade de rir mas sentir que me reparto através de objetos dá-me menos vontade de rir. E rir também me faz rir, a mim e a ti mas isso é outra coisa.
Isto é sobre pintura mas poderia ser sobre outra qualquer porque é sempre sobre alguma coisa, inflizmente nunca é. Não deste lado.
Deste lado agora são pinturas que são feitas no computador porque nos pedaços de mim que ficaram encaixotados à minha frente ficou um pedaço de disponibilidade para pintar e sujar e obter outra posição para além desta que tenho várias muitas mesmo demasiadas até sentado numa bola de pilates de raio de 55cm onde me colo em frente a uma caixa tão sedutora que me suga tudo chupa digo chupa chupa chupa e ... 
Então o Paint está aqui em baixo e resisto ao broche e vou pintado coisas naives pois assim delas gosto e delas de mim não sei se sentem alguma coisa mas sentir que não me chupam também é uma sensação.
São pinturas que também se tornam pedaços de mim, pedaços que vou espalhando com quem quero ficar nem que seja aos pedaços.
Pedaçitos e pedaçinhos de quem é pequeno e magrinho mas há quem diga que o coração não tem tamanho mas eu acho que isso é só uma lenga lenga para não desmutivar pessoas com o meu volume.
Apesar de bidimensional, a pintura tem algo de elástico, falo do tempo e das sensações, falo das memórias e da projeção, da coisa que fica nem que seja aos pedaços porque é melhor... mas a Laura começou a falar-me sobre um café que ela gosta muito e que me mostrou umas imagens hà uns dias atrás e perdi o fio à meada de mim a falar para mim mesmo aos pedaços porque é assim que vou sendo, aos soluços, sollluuuççoos ços !


 

segunda-feira, 7 de dezembro de 2020

É. N'i. Q. working like a good old machine !

 








We are making some sketchbooks in collaboration with Collectif Karbone, with the last leftovers that we've been gathering from those last few years !
We are also helping them finish a zine with João Gastão, Laura Figueiras, Thomas CHMP and Else Bedoux. And we are preparing a small DIY book event for this Sunday in Montpellier !
Stay tunned for more info !