Há uns meses o coletivo GRAVE convidou-me para participar numa exposição coletiva, no CCC, aqui nas Caldas da Rainha. Pensei que seria uma boa oportunidade para trabalhar alguns dos esboços que eu já tinha em mente em relação à exposição de cadernos. Neste caso, é metade do Diário de bordo nº83 (a primeira parte dele), que está scaneado e postado aqui no blog.
Já o disse em alguns sítios que adoro a ideia do livro/caderno ser um objeto de constante omissão (está rebatido sobre si próprio ali numa das estantes da sala/quarto) e quando temos o prazer de o penetrar, reforça ainda mais este seu aspeto omissivo pois só vemos duas páginas de cada vez enquanto as nossas mãos estão ali a conter a força das páginas que só se querem beijar uma à outra, tal qual estavam a fazer antes de alguém o abrir.
Esta tensão, entre a omissão e a revelação das páginas, evidencia o livro/caderno como objeto para ser desfrutado individualmente. Interessa-me então pensar em formas de mostrar algo para além do seu formato original (mesmo que tenha feito questão de dobrar as folhas tal como se fosse as do caderno). A ideia por de trás deste interesse é não só a de ampliar mecanismos de leitura mas também a de expor manias minhas como a de desenhar um fio condutor (seja na escrita ou no desenho) entre várias páginas e não me restringir apenas nas duas que eu forço a se abrirem para mim.
Há sempre um lado desinteressante na exposição deste objeto em modo faximile; a plasticidade não corresponde ao original.
Tenho vontade de ampliar os mecanismos de apresentação destes cadernos. É como se estivesse a desenhar mas desta vez não nas suas páginas mas com as páginas dele.
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